<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28263256</id><updated>2011-04-21T22:35:43.703-07:00</updated><title type='text'>A Casa</title><subtitle type='html'>Uma casa, sem portas, sem janelas, sem paredes. Só um espaço a criar e a construir!

"...com o tempo começamos a sentir-nos confortáveis no meio do nosso próprio desconforto..."</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://casajd.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casajd.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>7</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28263256.post-2557650256703520068</id><published>2007-01-30T06:52:00.000-08:00</published><updated>2007-01-30T06:52:32.401-08:00</updated><title type='text'>Fechadura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_V0Q_tOWSMCQ/Rb9Z8AFMy7I/AAAAAAAAAAM/lv9dsworaEE/s1600-h/Forced_entry_by_CraigInATin.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_V0Q_tOWSMCQ/Rb9Z8AFMy7I/AAAAAAAAAAM/lv9dsworaEE/s320/Forced_entry_by_CraigInATin.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5025834596517596082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O barulho da fechadura confundia-se sempre com o cair das chaves na taça da mesa da entrada. A dois passos de dedos agarrou o comando sentado ao lado da taça. Pressionou o triângulo deitados uma voz rouca começou a cantar uma história de amor. Pendurou o sobretudo negro no cabide da entrada deixando à vista a camisa branca já estripada da gravata. Calcou o corredor até à sala e pousou na mesa o jantar aconchegado num saco de papel. Largou-se no sofá como morto e olhou o tecto. O senhor na aparelhagem bateu-lhe na palavra certa. Love. Estava apaixonado. A pouca familiaridade com o tecto tornou real a sua suspeita de que já não estava assim há muito tempo. Sorriu e com o seu sorriso o telemóvel começou a tremer no seu peito. Tirou telemóvel do bolso da camisa e o nome dela apareceu-lhe imediatamente.&lt;br /&gt;-Estou-disse ele com o sorriso a ouvir-se melhor que as palavras.&lt;br /&gt;-Anda cá jantar - A sinceridade dela era tão directa que o assustava tanto como o apaixonava.&lt;br /&gt;-Dá-me 20 minutos.&lt;br /&gt;-Dou-te 15, uma garrafa de vinho e um balde de gelado de nozes e caramelo. Até já.&lt;br /&gt;Ele levantou-se num ápice e foi com pressa até à cozinha. Tirou uma garrafa de uma caixa ao lado do frigorifico e apressou-se a vestir o sobretudo. Agarrou de novo as chaves e atirou a porta à sua passagem. O senhor calou-se na aparelhagem e a lua já estava alta quando a fechadura se voltou a ouvir. Desta vez as chaves demoraram a cair na taça. Corria-lhe no sangue demasiado álcool e felicidade o que lhe atrasava os movimentos. O comando estava longe e ao chegar a sala viu que a aparelhagem iluminava a sala com as palavras Unknown Album. Acercou-se dela tirou o cd e introduziu um disco negro. No segundo exacto antes de o piano começar a tocar ouviu-se uma campainha no corredor. Simão não ouviu, estava demasiado ocupado a olhar para o céu e para as luzes de algumas casas ainda visiveis. Deitou-se no sofá e adormeceu ouvindo o piano que o embalava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28263256-2557650256703520068?l=casajd.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casajd.blogspot.com/feeds/2557650256703520068/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28263256&amp;postID=2557650256703520068' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/2557650256703520068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/2557650256703520068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casajd.blogspot.com/2007/01/fechadura.html' title='Fechadura'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_V0Q_tOWSMCQ/Rb9Z8AFMy7I/AAAAAAAAAAM/lv9dsworaEE/s72-c/Forced_entry_by_CraigInATin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28263256.post-4576963046919944256</id><published>2007-01-17T15:20:00.000-08:00</published><updated>2007-01-17T15:48:02.176-08:00</updated><title type='text'>Campainha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.fileden.com/files/2006/9/24/237277/Fotos/Untitled.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www.fileden.com/files/2006/9/24/237277/Fotos/Untitled.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O cachimbo ainda fumegava sem sono sobre a mesa da sala, a lareira largava um olhar vermelho relaxado. Ele soltava um sorriso de felicidade e o batimento de pé  acompanhava o jazz que  a aparelhagem lhe dava. O vídeo piscava incessantemente a meia-noite a azul o que lhe permitia esquecer-se que amanha era dia de trabalho e já devia ressonar bem alto. Hoje sabia-lhe bem a noite e não lhe apetecia abdicar dela. O contrabaixo batia-lhe contra o peito e fazia-lhe vibrar o coração. Já não se lembrava de uma noite tão saborosa desde que Lurdes partira.&lt;br /&gt;O seu meio século de vida não lhe parecia pesar nas pálpebras naquela noite de Inverno. E não havia nada que explicasse a sua boa disposição. O Inverno sem a mulher tornara-se mais confortável do que o verão porque o luto da sua face não se notava tanto. O da roupa nunca se notara. Vestiu uma gravata vermelha a primeira vez que foi trabalhar depois da morte de Lurdes. Sem medos. Hoje essa mesma gravata parecia arder em cima do sofá por culpa do reflexo das brasas.&lt;br /&gt;Sentou-se então junto ao vidro a 4 andares do chão,   e olhou para o céu que sorria negro. Um avião ia pintando o céu com pontos vermelhos e azuis. Do lado de fora uma gota lambeu-lhe o reflexo. Mas caiu de forma tal que lhe escorria na face esbatida do vidro. Sentiu nas costas um frio maior do que se a gota lá tivesse aterrado. Nem dez anos de viuvez lhe apagavam a falta que ela lhe fazia. Nunca tivera outra mulher, apesar dos encontros que os amigos lhe tentavam arranjar, ou dos convites para locais menos próprios que os colegas lhe faziam na esperança de lhe dar um pouco de ânimo. Ele sentia que dentro do caixão da mulher tinha deixado não só a capacidade de sentir mas também a sexualidade que invejava qualquer casal. Ela tinha sido o calor que sempre desejava e nem dez anos de solidão o conseguiriam convencer que ela era substituível.&lt;br /&gt;Voltou ao sofá para a companhia do cachimbo. Cantou freneticamente as últimas palavras que o velho homem negro dizia do outro lado da coluna. E com um crescendo final a música acabou e com ela regressou o silêncio.   Mas durou apenas o tempo suficiente para vermelho se esconder debaixo das cinzas na lareira. Durou até os 4 tons formando uma espécie de música se soltar do elevador. Com um segundo de silêncio de intervalo a música recomeçou com uns tacões marcando o ritmo na tijoleira do corredor. Só então a campainha cantou.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28263256-4576963046919944256?l=casajd.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casajd.blogspot.com/feeds/4576963046919944256/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28263256&amp;postID=4576963046919944256' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/4576963046919944256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/4576963046919944256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casajd.blogspot.com/2007/01/campainha.html' title='Campainha'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28263256.post-115118569900298584</id><published>2006-06-24T14:41:00.000-07:00</published><updated>2006-06-24T18:21:29.873-07:00</updated><title type='text'>Mala</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2639/1203/1600/mala.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2639/1203/320/mala.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fez a mala cautelosamente. Nem parecia dela, sempre tão energética e com tanta pressa de viver cada instante. Mas desta vez não era assim e Sara fazia a mala devagar. A conversa na casa da Inês abrira-lhe os olhos. Resolvera ir a casa da sua amiga porque, em primeiro lugar, soubera que esta andava doente e em segundo porque, apesar de ser sempre a positiva e alegre do grupo, agora também ela precisava de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da morte trágica do Francisco tudo mudou. Ele era a união do grupo que já durava desde os tempos de liceu. Ela, a Inês, o Nuno, a Diana, o Rodrigo e claro, o Francisco tinham, desde o primeiro instante em que se conheceram, sentido uma empatia muito forte que durara até aos dias de hoje. Juntos nos bons e maus momentos. Nas crises de histerismo da Diana, nos jantares até altas horas na casa do Rodrigo, nas filosofias imaginárias do Nuno, nas anedotas sem piada da Inês, nas maluqueiras da própria Sara e agora sem o conforto (sim, quando as coisas se tornam difíceis de nada valem as palavras…) do Francisco. Depois da sua morte o grupo não se voltou a reunir. Talvez por ter medo de sentir ainda mais a falta dele se todos tivessem juntos num dos jantares do Rodrigo e houvesse um lugar vazio na mesa. Talvez cada um tenha um motivo especial e particular que impede o grupo de se juntar. Talvez não. A verdade é que a tristeza de todos ia sendo aos poucos transformada em “saudade que dói” e assim se iam superando os dias.&lt;br /&gt;Sara encontrara um novo romance. Não um romance no verdadeiro sentido da palavra. A verdade é que esta andava carente e no início do ano, entre a contagem decrescente para a meia-noite e os fogos de artifício, fez uma promessa a si mesma. Prometeu que iria encontrar alguém com quem partilhar a sua vida. Acima de tudo, iria deixar que alguém a encontrasse sem restrições e sem desistir a primeira. Não era fácil para ela evolver-se. Nada fácil. Assim disse, assim fez e passados alguns meses já tinha um namorado que conhecera num jantar de amigos comuns. Era Alemão e estava cá a passar férias. Conheceram-se, trocaram contactos e uns dias depois já ela acordava, na sua casa, ao som de um “Good morning my dear…”. Lindo, romântico mas instantâneo. As férias acabaram, vieram as despedidas e as promessas de amor que ambos sabiam que não iam cumprir. Provavelmente nunca mais se veriam, ou nunca mais iriam ter capacidade para se ver, uma vez que o tempo muda as pessoas e os reencontros, especialmente deste calibre, são sempre difíceis. Assim aconteceu, pelo menos até agora. A verdade é que a Sara nos últimos tempos sentia saudades dele. Para qualquer pessoa, este poderia ser um sentimento natural, mas não para ela. A “cabeça no ar” da Sara nunca sentiria isso. O normal seria, um dia depois da sua partida, já estar loucamente apaixonada por outra personagem misteriosa que esbarra na sua vida. O que estava a sentir não era do seu conhecimento empírico e daí ter sentido a necessidade de falar com a Inês. Só alguém muito mais racional que ela a poderia ajudar e assim foi. Depois de uma tarde de conversa e desabafos despediram-se com um forte abraço e um “Boa Sorte” orgulhoso da parte da amiga, daqueles que as mães atiram aos filhos no primeiro dia de escola. Com mais coragem e extremamente determinada, Sara chegou a casa telefonou a pedir uns dias de ferias, não há nada como ser arquitecta e trabalhar numa pequena sociedade da qual se faz parte, fez as malas e chamou um táxi. Enquanto esperava por ele, desligou as luzes de casa, certeficou-se que as janelas estavam bem fechadas e saiu. Foi com já duas unhas roídas, e a caminho da terceira que disse – É para o aeroporto se faz favor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28263256-115118569900298584?l=casajd.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casajd.blogspot.com/feeds/115118569900298584/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28263256&amp;postID=115118569900298584' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/115118569900298584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/115118569900298584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casajd.blogspot.com/2006/06/mala.html' title='Mala'/><author><name>Joana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12842937691771481028</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28263256.post-114867861070750593</id><published>2006-05-26T13:42:00.000-07:00</published><updated>2006-05-26T15:42:27.566-07:00</updated><title type='text'>Tecto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.shelleygrund.com/images/night-sky3-200.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px;" src="http://www.shelleygrund.com/images/night-sky3-200.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto espremia a esponja olhou para o relógio cheio de legumes na parede, já era tarde, o filho já dormia há algumas horas, mas ainda lhe esperavam umas quantas tarefas antes de poder ouvir a almofada falar. Limpou as mãos e deixou o pano sobre a louça recém-lavada.Saiu da cozinha e deixou a penumbra atrás. A televisão rodava ainda novelas que Raquel já não sabia o nome. A sua própria novela consumia-a demais para que pudesse ficar especada a ver um bando de gente nas situações mais tristes. Mudou para um canal musical enquanto estendeu a tábua de engomar. Lentamente foi fazendo a pilha de roupa diminuir enquanto ia trauteando algumas das canções que passavam no ecrã. Quando por fim acabou de passar a última camisola do filho empurrou a tábua para um lado e fez os seus pés voar por um pouco. A música era lenta e cheia de violinos, mas sem ser aquelas musicas demasiado velhas para se dançarem. Mas ela não dançava, voava, descalça na carpete cheia de flores de cores esbatidas. O frio da neve lá fora ainda se fazia sentir mas ela sentiu-se na primavera enquanto ia voando. Olhando para baixo imaginou uma saia branca larga em vez das calças de ganga que lhe apertavam as pernas. A música acabou e ela acabou por se sentar olhando a noite escura lá fora. A neve já se tinha desfeito, e se restasse alguma era impossivel de ver pela ausencia da lua. Mas ela olhava para o negro como procurando alguma coisa que não a neve. Mas era a sua própria solidão que acabava por ver reflectida no vidro. O pai de Filipe há muito que tinha saido da sua vida e do seu coração, mas ela ao contrário dela não conseguia tão facilmente encontrar um homem que lhe servisse e ao seu filho. E a solidão pesava-lhe mais que tudo. Mais que ver o filho ser o ultimo a sair do ATL, ou do que ter de passar o chão da cozinha à uma da manhã. Pesava-lhe a solidão, mas o que mais sentia falta era o peso de outra mão na sua. Desligou a televisão, foi ao quarto do Filipe cobri-lo e deitou-se esperando pelo sono, mas o tecto do quarto ainda iria permanecer nos seus olhos durante algum tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28263256-114867861070750593?l=casajd.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casajd.blogspot.com/feeds/114867861070750593/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28263256&amp;postID=114867861070750593' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/114867861070750593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/114867861070750593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casajd.blogspot.com/2006/05/tecto.html' title='Tecto'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28263256.post-114833434133888996</id><published>2006-05-22T14:06:00.000-07:00</published><updated>2006-05-22T14:45:41.366-07:00</updated><title type='text'>Violino</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2639/1203/1600/Orquestra%20Gulbenkian%20net.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2639/1203/320/Orquestra%20Gulbenkian%20net.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Anda Filipe! Despacha-te e ajuda-me com as compras.&lt;br /&gt;- Vou já mãe…Depois posso ir até a casa do Nuno?&lt;br /&gt;- Vais lá fazer o que? Não sabes que ele está a passar um momento difícil com tudo o que aconteceu? Vá, abre a porta do elevador!&lt;br /&gt;Após muito choro falso e até promessas de que a mesa seria posta pelo petiz à hora do jantar, a mãe lá foi convencida em deixa-lo ir um pouco até a casa do amigo Nuno que tinha acabado a adolescência quando viu nascer o rapazote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filipe tocou a porta, esperou, esperou, esperou e nada. Nenhum som transpunha aquele pedaço de madeira, sempre grande demais à vista dos pequenos. Ao fim de algum tempo desistiu e quando já ia a correr para sua casa (que ficava no mesmo andar) a porta abriu-se e numa voz de gozo ouviu-se:&lt;br /&gt;-Onde é que ias pirralho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era delicioso vê-los aos dois juntos. Uma cumplicidade sincera e inocente reinava no brilho do olhar de ambos. O que se passava a seguir já era rotina e de conhecimento geral. Filipe saltava para as costas de Nuno numa luta de cócegas, mordidelas e empurrões ligeiros. Depois, ou porque se soltava ou porque Nuno o deixava ir, Filipe corria até ao quarto e ia buscar o violino. Juntos sentavam-se no sofá vermelho e com jeitos de tutor e pupilo tudo se tornava sério e davam inicio a aula.&lt;br /&gt;- Quando for grande vou querer tocar numa orquestra como tu.&lt;br /&gt;- Conversa fiada…pensas que não sei como és? Até lá já mudaste de ideias, como daquela vez em que querias ser patinador de gelo mas desististe assim que deste o primeiro malho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riram-se ambos. Filipe ia reiniciar a pequena peça que andava a ensaiar quando, num impulso de criança, parou e olhou para a fotografia emoldurada que estava em cima da televisão. Era Inês e Francisco, irmão mais velho de Nuno.&lt;br /&gt;- Tens saudades dele?&lt;br /&gt;- Tenho saudades de muita coisa…&lt;br /&gt;- Nuno… - disse o rapaz com um ar subitamente sério.&lt;br /&gt;- Diz. – Respondeu-lhe Nuno pegando na fotografia e voltado a sentar-se no sofá.&lt;br /&gt;- Para onde vão as pessoas quando morrem? A minha mãe diz que vão para um sítio bonito. O que é um sitio bonito?&lt;br /&gt;- É um sítio que nos agrada e onde nos sentimos bem. Onde é que tu te sentes bem? – perguntou-lhe enquanto, numa passagem, rápida lhe acariciava os caracóis castanhos.&lt;br /&gt;-Eu gosto das salas de concerto, como aquela onde tu tocas todas as noites.&lt;br /&gt;Nuno riu-se para dentro e com uma voz paterna e sofrida disse:&lt;br /&gt;- Aí tens, podes pensar que as pessoas quando morrem vão para uma sala de concertos lindíssima, onde no palco tocam músicas mágicas.&lt;br /&gt;Filipe olhou o seu amigo, agora com um ar muito mais tranquilo, e antes de recomeçar a lição disse entre um suspiro:&lt;br /&gt;- Só espero que o Francisco esteja a gostar da música...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28263256-114833434133888996?l=casajd.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casajd.blogspot.com/feeds/114833434133888996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28263256&amp;postID=114833434133888996' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/114833434133888996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/114833434133888996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casajd.blogspot.com/2006/05/violino.html' title='Violino'/><author><name>Joana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12842937691771481028</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28263256.post-114825765887502908</id><published>2006-05-21T17:01:00.000-07:00</published><updated>2006-05-21T18:24:22.660-07:00</updated><title type='text'>Sofá</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www4.ocn.ne.jp/%7Eyonedaao/imges/red_sofa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://www4.ocn.ne.jp/%7Eyonedaao/imges/red_sofa.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está a nevar... Já nem sei o que sinto pela neve, vejo os miudos lá em baixo a sujarem-na na estrada enquanto se apercebem da efemeridade da coisa. A televisão vai resmoneando vidas de gente que acabou de ganhar os seus 5 minutos. Estou no sofá a pensar em ti. Com este frio parece que ainda me faz mais falta o teu corpo aqui encaixado. Precisavamos de uns longos momentos de tetris humano para nos conseguirmos deitar os dois neste sofá minúsculo. Sinto falta do tétris, sinto falta dos teus pés a apararem-me a cabeça. Ainda que com os pés sempre me apoiaram e aqueciam, e agora que me cansei deles sinto falta do seu apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis comprar umas almofadas outro dia. Fui a um desses sitios em que os sofás são tão bonitos e arejados que todas as almofadas lá ficam bem. Quando as trouxe para casa apercebi-me que ficavam mal e eram duras.Tu foi ao contrário, só quando te disse que não voltasses mais ao sofá é que me apercebo de como cá ficavas bem. Eu sei que é infantil e até muito pouco racional, mas chego a procurar o teu cheiro no tecido vermelho. Chego até a pensar que antes de ires atiraste com lexívia para que o sofá ficasse menos vermelho e mais pálido. E no entanto fui eu que quis que fosses. E agora este orgulho não me deixa pedir que regresses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço a vizinha da frente resmungar alto qualquer coisa mas já nem ligo. Nem que seja para mim, já não me importa. Fecho as cortinas, desligo a televisão e deito-me no chão a olhar o tecto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28263256-114825765887502908?l=casajd.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casajd.blogspot.com/feeds/114825765887502908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28263256&amp;postID=114825765887502908' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/114825765887502908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/114825765887502908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casajd.blogspot.com/2006/05/sof.html' title='Sofá'/><author><name>Celi M.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img100.exs.cx/img100/4128/img0049small2ep9zb.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28263256.post-114796824797674405</id><published>2006-05-18T08:30:00.000-07:00</published><updated>2006-05-18T14:09:21.446-07:00</updated><title type='text'>Varanda</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2639/1203/1600/Imagem(133).jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2639/1203/320/Imagem%28133%29.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ontem perguntei-te se querias ser meu amigo. Sem rodeios, nem dissimulações deitei cá para fora aquilo que nos últimos meses me andava a roer a alma. Queria tanto que tivesses dito sim sem pensar e que tudo voltasse a ser como era antes, mas em vez disso, mudaste de assunto, como se nada fosse, e convidaste-me para almoçar. Eu não queria almoçar, a única fome que tinha era de voltarmos atrás, mas isso não aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não fui trabalhar. Já podia ter ido, mas aproveitei a gripe que tivera três dias atrás, para ficar mais um dia em casa. A Sara telefonou-me de manhã e disse que passava por cá para ver como eu estava e aproveitar para contar as novidades em relação ao seu novo namorado Alemão. Só ela para me fazer rir com as suas aventuras mirabolantes e inacreditáveis. Enquanto espero que venha, vou arrumando, ao som de uma balada rafeira que passa na rádio, as almofadas que estão caídas no chão. Ainda me lembro daquele dia em que resolvemos acampar na varanda de minha casa. Colocamos as almofadas no chão e passamos lá a noite inteira. Fazia calor e sabia bem sentir a brisa que ia soprando. Era tão bom estar ali deitada abraçada a ti, sentir o teu calor e o teu cheiro. Com a minha cabeça encostada ao teu peito adormeci ao som do pulsar do teu coração, que na altura era meu segundo as cartas que me escrevias. Ainda não publicaste o livro que disseste que ias publicar sobre nós. Estou a espera ansiosamente que um dia o faças. Gostava tanto de o ler…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento que faz lá fora chama-me a atenção. Vou a janela. Como neva! Há muito tempo que não me lembro de um dia assim. Desligo a rádio e ponho um CD na aparelhagem. Batem a porta. É a Sara. Já a oiço resmungar com a vizinha do lado sobre um assunto picuinhas qualquer.&lt;br /&gt;- Vá fazer qualquer coisa da vida e pare de implicar!!....A tua vizinha é mesmo parva – diz-me ela enquanto entra apressadamente para dento de casa ao som de um último insulto da vizinha do lado – Inês…que saudades tão grandes que eu tinha de ti. Há quanto tempo não falamos? Bem…trouxe bolo e novidades. Vais adorar! – Eu rio-me e fecho a porta enquanto ela se dirige para a cozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28263256-114796824797674405?l=casajd.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casajd.blogspot.com/feeds/114796824797674405/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28263256&amp;postID=114796824797674405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/114796824797674405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28263256/posts/default/114796824797674405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casajd.blogspot.com/2006/05/varanda.html' title='Varanda'/><author><name>Joana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12842937691771481028</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
